quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Faça sua própria câmera pinhole

Eu nunca tinha visto uma câmera pinhole, até que um amigo meu disse: "Quer ver a câmera que eu fiz?", e eu: "Você fez uma câmera? Como?"

Ele voltou e me apresentou a tal câmera: uma lata de Nescau com um pequeno furo - simples assim. Quando a vi, simplesmente não entendi como algo tão simples poderia ser capaz de produzir imagens.


Fiquei tão entusiasmada com a câmera que resolvi elaborar um pequeno tutorial para mostrar como é simples de fazer uma dessas. Você gastará pouco (muito pouco!) tempo e dinheiro.


Imagem obtida através de câmera pinhole (Digital Shots Guide)


> COMO ESSA CÂMERA CAPTURA IMAGENS?

O nome
pinhole vem do inglês "pin-hole" (buraco de agulha), e é dado a câmeras que não utilizam lentes para obter imagens. Como falei há alguns dias, processos semelhantes já eram conhecidos pela humanidade há muuuito tempo.

Nesse tipo de câmera, um pequeno orifício faz as vezes de lente e diafragma fixo. Basicamente, uma pinhole (também conhecida como "câmera estenopeica") capta a imagem através de um pequeníssimo furo e a transfere para a parede interna oposta (mas de cabeça para baixo).
As imagens produzidas por câmeras pinhole apresentam uma profundidade de campo quase infinita, ou seja: tudo está focado, mas o foco é suave em todos os planos da cena. Geralmente, uma pinhole menor resultará em imagens de melhor resolução.


> MONTANDO SUA CÂMERA


Enquanto pesquisava um pouco mais sobre o assunto deste artigo, encontrei um guia super completo sobre o assunto: o
Guia Prático de Fotografia Pinhole, escrito por Luciano de Sampaio. É dele que tirei algumas dicas para montar o tutorial abaixo.

Você precisará de:

  • 1 lata de leite em pó, achocolatado ou similar, vazia e limpa, com tampa plástica
  • 2 folhas A4 de papel-cartão preto
  • estilete/tesoura
  • fita isolante
  • agulha de costura (fina)
  • papel fotográfico preto e branco
  • martelo
  • 1 prego comum
Verifique se a lata que você transformará em câmera está bem limpa, sem resquícios de pó em seu interior. Com martelo e prego, faça um furo na lateral da lata, um pouco para o lado da solda. Feito isso, recorte uma faixa de papel-cartão suficiente para dar a volta no interior da lata, cobrindo-a de alto a baixo (imagem ao lado).

Na outra folha, recorte um círculo um pouco menor que o diâmetro da lata. Coloque a faixa de papel dentro da lata e fixe a ponta com fita isolante; depois faça isso com o círculo para tampar o fundo. Se o metal ficar aparente em algum ponto, cubra com fita isolante.

Para fazer a tampa da câmera, pegue a segunda folha e recorte um círculo que seja grande o bastante para cobrir toda a parte de cima da lata e cole-o na parte interna da tampa plástica.


Agora você já tem um recipiente impermeável à luz, só falta transformá-lo em uma câmera
de fato. Para fazer isso, pegue a agulha de costura e a lata já isolada. No ponto onde o metal foi furado com o prego, você notará que o papel-cartão cobre o buraco. Com a agulha, faça um pequeno furo no papel-cartão.

Sua câmera está quase pronta, faltam só mais duas coisas.


Primeiro, você precisa fazer um obturador. Isso permitirá que você escolha quando e por quanto tempo irá expôr suas fotografias. A forma mais fácil de fazer um obturador é pegar

uma pequena tira de fita isolante e colar na lata, tampando o orifício da agulha e o buraco do prego. Recomendo que você faça uma pequena dobra na ponta dessa tira para que tenha como puxar a fita ao fazer a exposição da foto.

A última coisa que falta para você sair fotografando é colocar o papel fotográfico dentro da câmera. Até agora, tudo o que você fez poderia ter sido feito à luz do dia sem problemas. Para carregar a câmera você precisa entrar no
laboratório e deixar apenas a luz segura ligada. (veja aqui como montar seu próprio laboratório)

Pegue o envelope do papel fotográfico, tire uma folha e corte-a no tamanho que desejar. Você pode fazer pequenas imagens, cortando pequenos retângulos de papel e colocando um de cada vez dentro da lata, fixando-os com fita isolante no revestimento interno; ou então recortar faixas grandes do papel fotográfico e usar a própria forma do papel para
mantê-lo no lugar. A primeira opção é mais econômica, mas talvez você seja obrigado a trocar o revestimento da câmera ocasionalmente, já que a fita isolante prejudica o papel.

Coloque a face fotossensível do papel voltada para o orifício. Agora sua câmera fotográfica barata está pronta!



> TEMPO DE EXPOSIÇÃO


Em
dias claros, com céu aberto e sem nuvens, bastam 15 segundos para que você tenha uma imagem exposta em sua lata.

Feito isso, volte ao laboratório e revele o papel (siga as instruções nas embalagens do papel e dos produtos químicos para ver os tempos de tratamento em cada banho), e deixe-o secar (um truque: depois de algum tempo no último banho de água, tire a foto e grude-a numa parede de azulejos ou num espelho; ela deverá ficar ali até secar bem).


Enquanto uma foto está secando, você pode aproveitar para capturar outras imagens.

>>>Ler artigo completo

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Câmeras fotográficas antigas (parte II - 1880-1900)

Este é o segundo artigo da série "Câmeras fotográficas antigas", onde falarei um pouco sobre o período que vai de 1880 a 1900. Veja também o primeiro artigo publicado, que mostra o período de 1840 a 1880.

Câmera portátil Walker - 1881

Nas últimas duas décadas do século XIX as câmeras fotográficas evoluíram bastante. Um dos principais fatores nesse processo foi o aperfeiçoamento das chapas e das emulsões fotossensíveis. As emulsões em gelatina, o pancromatismo (sensibilidade igual a todas as cores) e sobretudo os novos suportes em celulóide caracterizavam os novos filmes, tornando obsoletos os daguerreótipos e os calótipos até então usados. Além disso, o Congresso de Paris de 1889 normalizou os formatos das chapas, as aberturas das objetivas e as velocidades de obturação. A Indústria chegava à Fotografia.

A diminuição do tamanho e da velocidade dos filmes fez com que aparecessem pequenas câmeras muito engenhosas que, atendendo à tecnologia da época, eram verdadeiros prodígios da miniaturização. Câmeras com formatos de revólver, de relógio, de saco de mão ou de disco - que podiam ser guardadas no bolso - já não eram novidade na época e faziam as delícias de todo o amador extravagante de fotografia.

Photosphere 9X12 - 1885


Câmera relógio Lancaster - 1886

Câmera de bolso Stirn - 1886

Câmera Express Détective de Nadar (versão Tropical) - 1888

Houve então quem se apercebesse das potencialidades comerciais da fotografia e a transformasse num negócio. A essa altura, na França, o atelier da Blanquart-Évrard (uma grande empresa) executou muitos trabalhos sob encomenda. Porém, foi nos Estados Unidos que surgiu o homem que revolucionaria e industrializaria a fotografia:
George Eastman. Seu objetivo era tornar a fotografia barata e acessível a todos e, para isso, concebeu uma pequena câmera que usava filme em papel com gelatina de brometo de prata. Foi comercializada a partir de 1888 com o nome de Kodak One.

A começar pelo nome comercial que escolheu, Eastman teve intuição ao produzir este pequeno aparelho que fazia fotos redondas. Os filmes que eram adquiridos incluíam no preço a revelação e a substituição por um filme novo, uma idéia que vigorou até o aparecimento da fotografia digital. Mas Eastman não se acomodou ao sucesso e, pouco tempo depois, lançou a Brownie, uma câmera fotográfica para crianças.

Câmera Kodak One - 1888

Câmera Demon detective - 1889
Câmera Escopette 2 - 1890

Vários progressos ocorreram nesse período. A fotografia estereoscópica, por exemplo, teve muita aceitação entre o público e levou os fabricantes a comercializarem modelos com duas objetivas. Por vezes, o aspecto destes aparelhos também foi associado a imagens maliciosas...
Câmera Photosphere 2 - 1892

Câmera Verascope - 1894

Câmara Kauffer Photo (saco de mão) - 1895

Câmera escamoteável Kodak - 1897

A ótica também sofreu desenvolvimentos importantes. Um dos mais significativos foi o surgimento do visor (conhecido como viewfinder). Na verdade, em quase todas as câmeras dessa época o enquadramento era feita com o auxílio de uma moldura metálica (geralmente não removível) situada na parte superior da máquina. Não era muito rigoroso, como é evidente, mas com uma pequena lente incorporada o enquadramento passou a ser muito mais preciso. Apenas no século XX esse dispositivo se tornaria comum.

Outra inovação importante foi a objetiva escamoteável, sistema que permitia alojar uma ótica de boa qualidade dentro de um corpo de tamanho reduzido. Esse sistema, onde a objetiva estava ligada a um fole de cartão ou tecido que se distendia quando a tampa era aberta, foi norma em muitos aparelhos durante bastante tempo. Eastman estava entre os pioneiros com a sua Kodak, claro.
Câmera Sigriste - 1899

Câmera RB Cycle Graphic (4 x 5) - 1900

Acompanhe também a parte III deste artigo, que será publicada nos próximos dias. Se preferir, você pode receber as atualizações do Ajuste o Foco em seu e-mail ou assinar os feeds (para completar sua assinatura via e-mail, é necessário clicar no link da mensagem enviada pelo FeedBurner).

.

>>>Ler artigo completo

Dicas para ajustar suas fotos no Photoshop CS3

Hoje conto com a colaboração de um autor convidado aqui no Ajuste o Foco: o Jean Carlo, do Canal Adobe Photoshop.



> CORRIGINDO A DISTORÇÃO "BARRIL"

A distorção barril é um defeito de lente que faz com que as linhas retas se curvem para fora. Isso ocorre principalmente quando se tira uma fotografia de uma distância muito pequena com uma lente angular.


Para resolver esse problema usaremos o filtro Correção de Lente:
  • na janela de diálogo, arraste o controle Remover Distorção para mais ou menos +52.00em Dimensionamento, arraste até chegar em mais ou menos 146
  • com a imagem aberta, vá em: Filtro/Distorção/Correção de Lente
  • na parte de baixo da janela, em Aresta, selecione Transparente

Clique em OK para aplicar as alterações e sua fotografia estará pronta.
Vá em
Arquivo/Salvar como e salve seu trabalho.


> AJUSTE DE PRETO E BRANCO


Um recurso muito interessante na versão CS3 é o ajuste Preto e Branco (Imagens/Ajustes/Preto e Branco). Ele converte fotos coloridas em tons de cinza com a possibilidade de controlar cada cor individualmente.

  • Na janela de diálogo, basta mover os controles para alterar cada um dos seis canais de cores e criar um padrão de cinza personalizado.

  • Marcando a caixa Colorir, o ajuste permite definir a matiz e a saturação para aplicar uma cor única ao padrão.

  • Na caixa Predefinição existem vários ajustes automáticos que funcionam como filtros de cor.

Clique em OK para aplicar as alterações e sua fotografia estará pronta.
Vá em
Arquivo/Salvar como e salve seu trabalho.


> Para conhecer melhor o trabalho do Jean Carlo, visite o Canal Adobe Photoshop.

>>>Ler artigo completo

sábado, 22 de agosto de 2009

Fotografando crianças

Quem tem filhos ou convive com crianças sabe: dá vontade de tirar dezenas de fotos por dia! Cada nova fase, cada nova descoberta merece ser registrada - afinal, elas crescem logo e o tempo não volta.

O que fazer para conseguir imagens originais? Como montar para seus filhos um álbum que, mesmo com uma enorme quantidade de fotos, não pareça repetitivo? Pensando nisso, resolvi continuar a série "Fotografando..." - dessa vez com um especial sobre crianças.


> O MOMENTO CERTO


Crianças são naturalmente espontâneas, e nesses momentos que é possível capturar as melhores imagens. Bebês pequenos podem ser fotografados sem grandes dificuldades: eles não se intimidam com a câmera e costumam ser bastante fotogênicos, fazendo gestos e expressões interessantes. Você só precisa estar bem posicionado e ter a câmera à mão - o pequenino fará quase tudo sozinho.


Para dar um ar gracioso à composição, experimente incluir outras coisas no cenário: dê um brinquedo para que o bebê se distraia, ou aproxime-o de algum animalzinho de estimação manso. Você conseguirá expressões risonhas e cheias de curiosidade!


Foto: Blogs Smarter

Crianças com mais de um ano e meio podem ficar chateadas e impacientes quando percebem que estão sendo fotografadas. Aproveite enquanto elas estiverem distraídas com alguma outra coisa: brincando no parquinho, jogando videogame, montando um quebra-cabeça, etc., para entrar em ação. Mas tenha cuidado ao usar o flash, pois a criança pode se assustar; nesses casos, prefira sempre utilizar iluminação natural.


> ADULTOS SÃO BEM-VINDOS!


Fotografar crianças
não significa fotografar apenas crianças. A participação de adultos e outras pessoas na cena poderá deixar o resultado final mais interessante, sem tirar a ênfase do sujeito principal da foto: a criança.

Crianças de colo podem ser retratadas nos braços da mãe ou do pai; deitadas sobre uma cama ou tapete com um adulto (ou com o irmão mais velho) posicionado logo atrás, sentado ou deitado lateralmente
.

Foto: Isoglossia

Já em fotos com crianças maiores, o convidado pode participar de diversas formas (e o que vale é soltar a imaginação). Você deve prestar atenção principalmente à proporção, para evitar que a criança pareça muito menor do que realmente é. O ideal é que o convidado fique no mesmo nível que a criança, ou não muito longe disso.

Foto: Rebecca Tredway


> DATA

Quando não tínhamos outra opção senão revelar nossas fotos, era comum que se anotasse no verso a data e o local onde foram tiradas. Anos mais tarde, ao rever aquelas fotos, relembramos bons momentos e percebemos o que mudou e o que ficou com o passar do tempo - e podemos mostrar àqueles que ainda não haviam nascido ou eram muito pequenos coisas que são importantes para nós.


Hoje em dia, poucas pessoas mantêm esse costume, mas não é difícil organizar suas imagens (e também não é por isso que deixaremos de guardar informações importantes sobre as fotos que tiramos de nossos filhos).


Se você acha que a forma como separa suas fotos atualmente não funciona tão bem quanto você gostaria, teste as seguintes dicas:
  • apague: de nada adianta separar suas fotos em várias pastas, se em cada uma delas você guarda muitas imagens parecidas ou que nunca serão utilizadas. Claro que você pode (e até deve!) aproveitar os recursos de sua câmera digital e tirar muitas fotos; mas após passá-las para o computador, selecione as melhores e as que mais gostar e apague todas as outras;
  • data + algo: ao criar uma pasta, identifique-a com data e mais alguma outra coisa que fará com que você lembre facilmente do conteúdo (por exemplo: "24-05-08 piquenique Nina"). Dessa forma, você não perderá tempo procurando por essas fotos quando precisar delas.

> POSE?

Muito cuidado! Pedir para que uma criança faça uma pose forçada pode comprometer o resultado de suas imagens. Conseguir que uma foto posada pareça natural não é para qualquer um: é uma façanha de bons fotógrafos profissionais, de pessoas que tem facilidade para conseguir deixar o sujeito à vontade, ou crianças que gostam mesmo de serem fotografadas.



Foto: Rebecca Tredway

Muitas crianças podem parecer emburradas em fotos posadas. Você pode tentar pedir para que ela sorria; se ainda assim não funcionar, tente distraí-la de algum jeito (pedir para que ela conte uma história, fale sobre seu filme preferido ou sobre seu dia na escola é uma boa idéia).

>>>Ler artigo completo

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

19 de agosto - Dia mundial da Fotografia

Oficialmente, a Fotografia completa 170 anos hoje. Mas experimentos que envolvem tentativas de registrar imagens são muuuito mais antigos do que você imagina. Vou (tentar) resumir em poucos parágrafos muitos séculos de história...
Por volta de 350 a.C. já se conhecia o fenômeno da produção de imagens pela passagem da luz através de um pequeno orifício (o mesmo processo utilizado até hoje nas câmeras pinhole).

Por volta do século X,
Alhazen descreveu um método de observação dos eclipses solares através da utilização de uma câmara escura. Tal câmara escura consistia de um quarto com um pequeno orifício aberto para o exterior.

No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura. Leonardo da Vinci fez uma descrição da câmara escura em seu livro de notas (imagem ao lado), mas não foi publicado até 1797. Giovanni Baptista Della Porta, cientista napolitano, publicou em 1558 uma descrição detalhada da câmara e de seus usos. Quando um objeto era posto diante do orifício no lado de fora da câmara, sua imagem era projetada invertida sobre uma parede branca que ficava dentro do quarto.

Em 1604, o cientista italiano Angelo Sala, observou que certo composto de prata ficava escuro quando exposto ao sol. Acreditava-se que o calor fosse responsável por isso.

Em 1727, o professor de anatomia Johann Schulze, da universidade alemã de Altdorf, notou que um vidro que continha ácido nítrico, prata e gesso se escurecia quando exposto à luz proveniente de uma janela. Por eliminação, ele demonstrou que os cristais de prata halógena, ao receberem luz (e não o calor, como acreditavam até então) se transformavam em prata metálica negra. Já que suas observações foram acidentais e não tinham utilidade prática na época, Schulze cedeu suas descobertas à Academia Imperial de Nuremberg.


Em 1802, Sir Humphrey Davy publicou uma descrição do êxito de Thomas Wedgewood na impressão de silhuetas de folhas e vegetais sobre couro. Thomas, estando familiarizado com o processo de Schulze, obteve essas imagens mediante a ação da luz sobre o couro branco impregnado de nitrato de prata. Entretanto, ele não conseguiu "fixar" essas imagens, isto é, eliminar o nitrato de prata que não havia sido exposto e transformado em prata metálica, pois apesar de bem lavadas e envernizadas, elas ficavam escuras quando expostas à luz.


A câmara escura também era do conhecimento da família de Wedgewood. Seu pai, o ceramista Josiah, a usava constantemente para desenhar casas de campo e copiar seus desenhos em suas famosas porcelanas. Thomas não chegou a obter imagens impressas com o auxílio da câmara escura devido à sua morte prematura aos 34 anos.



> E NO SÉCULO XIX...


Aos 40 anos, Nicéphore Niépce pôde se retirar do exército francês e dedicar seu tempo à criação de inventos técnicos graças à fortuna que sua família havia feito com a revolução. Nessa época, a
litografia era muito popular na França e, como Niépce não tinha habilidade para o desenho, tentou obter através da câmara escura uma imagem permanente sobre o material litográfico de imprensa. Recobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante várias horas na câmara escura, obtendo uma fraca imagem parcialmente fixada com ácido nítrico. Como essas imagens eram negativas e Niépce queria imagens positivas que pudessem ser utilizadas como placas de impressão, determinou-se a realizar novas tentativas.

Após alguns anos, Niépce recobriu uma placa de metal com betume branco da judéia, que tinha a
A química, em auxílio à fotografiapropriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas em sua câmara escura, ele conseguiu uma imagem do quintal de sua casa (ao lado).

Apesar dessa imagem não ter meios tons e não servir para litografia, todas as autoridades na matéria a consideram a
primeira fotografia permanente do mundo. Esse processo foi batizado por Niépce de Heliografia (gravura com luz solar).

Foi através dos irmãos Chevalier, famosos ópticos de Paris, que Niépce entrou em contato com outro entusiasta que procurava obter imagens impressionadas quimicamente:
Louis Jacques Mandé Daguerre. Este, durante alguns anos, causara sensação em Paris com o seu "Diorama", um espetáculo composto por enormes painéis translúcidos pintados por intermédio da câmara escura, que produziam efeitos visuais (fusão, tridimensionalidade) através de iluminação controlada no verso desses painéis.

Niépce e Daguerre mantiveram correspondência durante algum tempo sobre seus trabalhos. Em 1829 firmaram uma sociedade com o propósito de aperfeiçoar a Heliografia, compartilhando seus conhecimentos secretos.
Daguerre, ao perceber as grandes limitações do betume da Judéia, decidiu prosseguir sozinho nas pesquisas com a prata halógena. Suas experiências consistiam em expor, na câmara escura, placas de cobre recobertas com prata polida e sensibilizadas sobre o vapor de iodo, formando uma capa de iodeto de prata sensível à luz.

Dois anos após a morte de Nièpce, Daguerre descobriu que uma imagem quase invisível, latente, podia revelar-se com o vapor de mercúrio, reduzindo-se assim de horas para minutos o tempo de exposição. Certa noite, Daguerre guardou uma placa sub-exposta dentro de um armário onde havia um termômetro de mercúrio que se quebrara; ao amanhecer, abrindo o armário, ele constatou que a placa havia adquirido uma imagem de densidade bastante satisfatória: tornara-se visível. Em todas as áreas atingidas pela luz o mercúrio criava um amálgama de grande brilho, formando as áreas claras da imagem.


Após a revelação, agora controlada, Daguerre submetia a placa com a imagem a um banho fixador para dissolver os halogenetos de prata não revelados, formando as áreas escuras da imagem. Inicialmente foi usado o sal de cozinha (cloreto de sódio) como elemento fixador, sendo substituído posteriormente por tiosulfato de sódio (hypo), que garantia maior durabilidade à imagem. O processo foi batizado com o nome de
Daguerreotipia.

Em 1839, com a ajuda do amigo Arago (que era então membro da câmara de deputados da França), na Academia de Ciências e Belas Artes, Daguerre descreveu minuciosamente seu processo ao mundo em troca de uma pensão estatal. Poucos dias antes, por intermédio de um agente, ele havia requerido a patente de seu invento na Inglaterra.


Rapidamente, os grandes centros urbanos da época ficaram repletos de daguerreótipos; vários pintores figurativos, como Dellaroche, exclamaram em desespero: "A pintura morreu!". Como sabemos, foi nessa efervescência cultural que foi gerado o impressionismo.


Apesar do êxito da daguerreotipia, que se popularizou por mais de vinte anos, sua fragilidade, a dificuldade de se ver a cena devido à reflexão do fundo polido do cobre e a impossibilidade de se fazer várias cópias a partir do mesmo original, motivaram novas tentativas com a utilização da fotografia sobre o papel.



> NO BRASIL


Em 1830, diante da necessidade de uma oficina impressora, o francês Hercules Florence inventou seu próprio meio de impressão, a
Polygraphie (como ele a denominou). Seguindo a meta de um sistema de reprodução, pesquisou a possibilidade de se reproduzir usando a luz do sol e descobriu um processo fotográfico que chamou de Photographie, em 1832, como descreveu em seus diários da época, anos antes de Daguerre. Em 1833, Florence fotografou através da câmara escura com uma chapa de vidro e usou um papel sensibilizado para a impressão por contato.

Enfim, totalmente isolado e sem conhecimento do que realizavam seus contemporâneos europeus Niépce, Daguerre e Talbot, obteve resultados bons resultados com essas experiências fotográficas.




Adaptado
daqui e daqui.

>>>Ler artigo completo

Câmeras fotográficas antigas (parte I - 1840-1880)

Camera-obscura - 1800

Hoje, 19 de agosto, a Fotografia completa 171 anos. No ano passado falei sobre a história dessa arte com luz, que já era conhecida pela humanidade há quase 2.500 anos; hoje, em comemoração à data, darei inicio a uma série que mostra algumas câmeras que foram importantes para que hoje, nos anos 10, possamos estar aqui com nossas câmeras portáteis e automáticas. O texto foi adaptado de um artigo da revista Obvious.

Construir um aparelho fotográfico já foi uma atividade artesanal que requeria grande paixão e entusiasmo. Mas hoje em dia, habituados a ver as pequenas câmeras compactas produzidas em larga escala, olhamos com um sorriso condescendente para as primeiras tentativas de construir a caixa mágica que capturava as imagens numa chapa de vidro. No início do século XIX, quando a fotografia dava os seus primeiros passos, vários construtores se lançaram nessa árdua tarefa. Com muitas dificuldades, muito engenho e também alguma ingenuidade, produziram máquinas absolutamente fascinantes que, longe de nos fazer sorrir, deviam, pelo contrário, suscitar a nossa admiração.


Os primeiros modelos, antepassados dos modernos aparelhos, eram grandes e pesadas caixas de madeira polida com aplicações em metal. Representavam a essência da técnica fotográfica: uma abertura com uma lente que dirigia a luz para o fundo da câmara escura onde se encontrava uma chapa de vidro com a emulsão. As primeiras emulsões, daguerreótipos, calótipos ou colódio úmido, eram ainda pouco sensíveis à luz. Somente no início da década de 1870 começaram a aparecer as primeiras chapas utilizando gelatina. Foi também por essa altura que aumentou a sensibilidade das emulsões e, conseqüentemente, a sua rapidez.


Essas chapas possuíam grandes formatos e alojavam-se dentro das caixas através de uma ranhura com encaixe. "Rebobinar" era então uma operação demorada e delicada, e até cansativa, devido ao peso do material. Para transportar a câmera, o conjunto dos acessórios e o número de chapas suficiente para fotografar, geralmente era necessária uma carroça puxada por um animal (não esqueçamos que a essa altura o automóvel ainda não tinha sido inventado).

Mas os imaginativos fabricantes da época tinham noção da pouca funcionalidade destes pesados equipamentos, e não descansaram enquanto não encontraram soluções mais práticas e rápidas. Surgiram então câmeras portáteis com outros suportes de captação de imagem (discos, filmes em rolo, etc.) e de tamanho mais reduzido. Também a madeira foi sendo progressivamente substituída pelo metal, ganhando-se leveza e robustez. É possível vermos até em alguns destes modelos fortes semelhanças com as compactas actuais. Existem esforços de miniaturização verdadeiramente comoventes, como as câmeras com forma de relógio ou de revólver.


Abaixo, algumas imagens de câmeras da época:



Câmera para "cartes de visite" de François Anzoux - 1876

Tourograph nº 1 - 1878

Câmera-revólver de Thompson - 1862

Aparelho Dubroni nº 1 - 1864

"Chambre Automatique" estéreo de Bertsch - 1864

Photo-Binocular - 1867

Aparelho universal de Chavalier - 1856


Câmera microfotográfica Dagron - 1860


"Chambre Automatique" de Bertsch - 1860


Câmera de grande formato - 1840


Câmera Voigtländer para daguerreótipos - 1841


Câmera Bourguin - 1845


Acompanhe também as partes II e III deste artigo, que serão publicadas nos próximos dias. Se preferir, você pode receber as atualizações do Ajuste o Foco em seu e-mail ou assinar os feeds (para completar sua assinatura via e-mail, é necessário clicar no link da mensagem enviada pelo FeedBurner).
.

>>>Ler artigo completo

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

5 dicas de composição para fotografar paisagens

Você já deve ter lido ou ouvido por aí que o segredo para conseguir boas fotos de paisagens (mais conhecidas como landscapes) é paciência e composição. Acontece que nem sempre conseguimos aliar as duas coisas: ou o tempo é curto, ou não é possível escalar aquele morro alto para conseguir ângulos melhores, ou não tem espaço para carregar um bom tripé... enfim: a lista pode ser extensa.

Poucos de nós vivem em lugares onde a natureza é exuberante. Quando visitamos locais assim, queremos tirar fotografias que mais tarde nos tragam lembranças dignas e vivazes de tudo aquilo que presenciamos (pois provavelmente não retornaremos mais àquele lugar e, afinal, não temos tanto tempo e dinheiro sobrando para viajar a lugares exóticos a todo momento).


Mas o que devemos fazer para que consigamos transmitir através da lente toda a beleza daquela paisagem que vimos ao vivo? As dicas abaixo são simples e de fácil execução - são tão fáceis que é até provável que suas fotos fiquem ainda mais bonitas que tudo aquilo que você viu ao vivo!



1 LINHAS


Cansou de landscapes com o horizonte retinho ao fundo, mas não gostaria de arriscar estragar as fotos que podem ser a única lembrança daquelas férias tão gostosas?
Invista nas linhas.

Elas podem ser muito úteis quando o objetivo é direcionar a atenção do espectador para algum ponto específico da foto. Não é necessário que sejam linhas retas e perfeitas: pode ser o traçado de uma estrada, as árvores no horizonte, uma cerca ou um rio. Você pode tanto usar uma linha de forma parcial (como uma estrada que conduz até a gruta que é o assunto principal da sua foto), ou fazer com que a linha atravesse a imagem de um lado até outro, formando uma diagonal (como no caso abaixo).



Se a idéia é transmitir vivacidade, as linhas são a aposta mais segura: a imagem passará sensação de movimento para quem a estiver observando. Você pode utilizar mais de uma linha na composição da cena, ou registrar uma intersecção (como um rio que é cortado por uma cerca lá adiante); mas é preciso ter em mente que um emaranhado de linhas pode levar ao efeito contrário e criar uma confusão visual.

Foto: Ursi's Blog

Observe a imagem acima: logo de cara fica evidente que o assunto principal da foto é o rochedo. Tanto à esquerda quanto à direita das rochas estão presentes linhas que conduzem o olhar diretamente para lá. Olhando ainda mais atentamente dá para perceber qual é o grande feito de quem a registrou: tanto o mar quanto o céu ou a areia em primeiro plano poderiam ter desviado a atenção, mas ao invés disso nosso olhar é conduzido imediatamente ao rochedo.


2 FORMAS GEOMÉTRICAS


Ao posicionar os elementos mais interessantes da cena nos cantos de alguma forma geométrica, você estará criando uma composição balanceada. A forma mais comum e fácil de utilizar é o triângulo: escolha três pontos que você queira destacar e ajuste o enquadramento de modo que cada um deles fique em um dos lados do triângulo (o assunto principal pode ficar mais ao centro, se preferir).



Foto: Patrick Smith


Também é possível fazer uso de outras formas, como quadrados e retângulos (use a imaginação!). Esta não é uma dica que pode ser empregada em qualquer landscape, mas quando você a usar perceberá que a atenção será direcionada imediatamente para o assunto principal da foto.


3 SILHUETAS


Chegou a
hora mágica (aqueles momentos do dia em que as cores ficam lindas, o amanhecer e o entardecer), você está com a câmera em mãos mas não está bem posicionado e o tempo é curto. Quer saber de outra aposta garantida para um momento como esse? Silhuetas.

Se você estiver com algum amigo, peça para ele ir andando em direção ao sol nascente ou poente; fique um pouco atrás e fotografe a silhueta dele contra o céu multicolorido.


Foto tirada (às pressas) por mim em Garopaba

Quando estiver sozinho, você pode fotografar outras silhuetas: uma árvore, as montanhas ao longe, os pássaros alçando vôo. O que importa aqui é testar ângulos diferentes e tentar realçar as silhuetas contra o céu.



4 A REGRA DOS TERÇOS

Já falei aqui sobre a regra dos terços, lembram? Ela também pode ser aplicada em landscapes. Apesar de ser uma das regras mais básicas e utilizadas em quase todos os estilos de fotografia, pode resultar em imagens bastante sofisticadas.

Foto: James Wicks

Divida mentalmente o visor da câmera em três colunas e três linhas, como se fosse um jogo da velha. Posicione nas intersecções das linhas os pontos que você considera mais interessantes na cena. Nas linhas propriamente ditas também podem ser mostrados pontos de destaque, como por exemplo o horizonte ou um riacho.



5 EMOLDURANDO

Eis outra dica para quando não se tem tempo para procurar e ajeitar pontos de interesse para destacar na foto: molduras. É um tanto mais simples e surtirá um efeito interessante, pois o assunto principal ficará evidente.


Você pode escolher o espaço entre o tronco de duas árvores, uma encosta, uma ponte... praticamente qualquer coisa que possa servir como uma espécie de moldura para a cena.



Foto: dawson30


(+) BÔNUS!

Eu costumo falar isso por aqui, mas não perco a oportunidade de repetir: todas as dicas e técnicas servem como apoio, mas ninguém deve se preocupar apenas em decorá-las e se ater a aspectos puramente técnicos. Com o tempo e a prática, essas coisas acabam se tornando quase naturais. O que importa mesmo é exercitar sua criatividade: fotografe o que tiver vontade da maneira que você achar melhor - suas imagens terão personalidade própria. E me mostre o resultado depois: deixe o link aqui nos comentários, mande pelo Twitter ou por e-mail. Tudo o que é interessante deve ser compartilhado ;)

.

>>>Ler artigo completo