segunda-feira, 31 de maio de 2010

Guia básico para composição de imagens

As câmeras digitais facilitaram muito a vida de quem gosta de fotografia: se você ajustar sua câmera antes, ou mesmo se preferir deixá-la no modo easy (point & shoot), estará livre para se preocupar mais com a composição do que com outros aspectos técnicos.

Quando você começa a dar maior atenção à composição percebe que não é necessário ter uma bela paisagem ou cenário para fotografar, mas que qualquer lugar pode render uma boa imagem - desde que saibamos
como compor uma boa cena. Mover um objeto, escolher a textura da parede do fundo, mudar o ângulo... todos esses pequenos ajustes podem fazer uma grande diferença no resultado final.

Foto: Photoactive

Já falei aqui no blog sobre como compor cenas rapidamente; hoje volto a falar sobre o assunto de forma mais detalhada, pois a composição - mais talvez do que os ajustes mecânicos feitos na câmera - é a grande responsável pela transmissão de sentimentos e outras sensações ao espectador.


> SEM TEMPO? ANALISE O CENÁRIO MENTALMENTE


Será que é possível parar e pensar na composição em nosso corrido dia-a-dia?
Digamos que você viu uma cena interessante e está com a câmera logo ali na mochila, mas sabe que vai levar algum tempo para fazer os ajustes necessários (foco, WB, etc.) e enquadrar os objetos ou sujeitos que a compõem... daí, quando você finalmente está com tudo pronto, o sol se escondeu atrás ds nuvens e o objeto que você queria registrar já não está mais ali. Frustrante, não?

Para prevenir esse tipo de frustração, é bom ter a câmera previamente ajustada (como falei aqui). Eu tenho o costume de fazer os ajustes enquanto caminho mesmo, pois tenho em mente o local para onde estou indo (quando sei para onde estou indo, claro) e imagino quais serão as condições de iluminação e a qual distância pretendo me posicionar; e caso seja preciso fazer algum ajuste depois, certamente será muito mais rápido e não perderei tanto tempo.

Outra coisa que você pode fazer é
enquadrar a cena mentalmente
. Isso é bom quando você não quer chamar muita atenção para si e deseja um resultado natural ao fotografar pessoas - porque todo mundo sabe o quanto alguns se assustam ou artificializam seus atos quando avistam alguém com uma câmera na mão, né? Então: se você enquadrar a cena mentalmente, praticamente só precisará ligar a máquina e bater as fotos - o que pode levar poucos instantes, dependendo do quanto você conhece sua câmera -, simples assim.


> FOQUE NO MELHOR

Tome cuidado para não incluir muitas coisas no enquadramento: elas podem desviar a atenção do espectador. Procure incluir coisas que destaquem ou direcionem o olhar diretamente para o assunto principal.


Foto: Andrew Hefter


> PRESTE ATENÇÃO AO FUNDO

O que você vai usar como fundo para compor a cena pode (e deve) ser interessante - mas não mais que o assunto principal. Procure um fundo suficientemente uniforme e preste atenção à textura e às cores.


Foto: Cuba Gallery

É possível simplificar suas fotos e reforçar o interesse sobre o objeto central se você selecionar fundos simples, evitando assuntos não-relacionados ao assunto principal e chegando mais perto (ou fazendo uso do zoom).

Em geral, a fusão de fundos é desagradável e pode roubar a atenção do assunto principal.
Fusões de fundo são objetos ou linhas que estão muito próximas do assunto principal e dão a impressão de "pertencerem" a ele (como quando os galhos de uma árvore parecem sair da cabeça de alguma pessoa, como se ambos estivessem no mesmo plano).


> HORIZONTAL X VERTICAL


Essa é outra dica simples que faz toda a diferença. Se você girar a câmera em 90º, poderá incluir ou priorizar diferentes elementos no enquadramento. De modo geral, dá para conseguir retratos mais interessantes ao posicionar a câmera verticalmente (veja o exemplo abaixo).




> LINHAS

Elas podem ser muito úteis quando o objetivo é direcionar a atenção do espectador para algum ponto específico da foto. Não é necessário que sejam linhas retas e perfeitas: pode ser o traçado de uma estrada, as árvores no horizonte, uma cerca ou um rio. Você pode tanto usar uma linha de forma parcial (como uma estrada que conduz até a gruta que é o assunto principal da sua foto), ou fazer com que a linha atravesse a imagem de um lado até outro, formando uma diagonal (como no caso abaixo).


Se a idéia é transmitir vivacidade, as linhas são a aposta mais segura: a imagem passará sensação de movimento para quem a estiver observando. Você pode utilizar mais de uma linha na composição da cena, ou registrar uma intersecção (como um rio que é cortado por uma cerca lá adiante); mas é preciso ter em mente que um emaranhado de linhas pode levar ao efeito contrário e criar uma confusão visual.


Observe a imagem acima: logo de cara fica evidente que o assunto principal da foto é o rochedo. Tanto à esquerda quanto à direita das rochas estão presentes linhas que conduzem o olhar diretamente para lá. Olhando ainda mais atentamente dá para perceber qual é o grande feito de quem a registrou: tanto o mar quanto o céu ou a areia em primeiro plano poderiam ter desviado a atenção, mas ao invés disso nosso olhar é conduzido imediatamente ao rochedo.


> EQUILÍBRIO


Alcançar um bom equilíbrio também é uma das recomendações para conseguir boas composições. Equilíbrio perfeito é simplesmente o arranjo das formas, cores, áreas de luz e sombra que se complementam mutuamente - dando à cena uma aparência equilibrada.


Essa é minha: casa bem colorida


> ÂNGULOS

Acredite ou não, o melhor ângulo para uma foto nem sempre é "vertical - diretamente de frente para o tema". Abaixe-se até o nível das flores para fotografar um jardim, suba numa árvore para registrar um campo. Experimente e tente perspectivas diferentes: procure ângulos que sejam interessantes e demonstrem o tom e a inspiração que você está tentando transmitir.


> (NOVAMENTE) A REGRA DOS TERÇOS

Divida mentalmente o visor da câmera em três colunas e três linhas, como se fosse um jogo da velha (algumas câmeras oferecem esse recurso para ser visualizado na tela de LCD; verifique as configurações da sua). Na fotografia, isso também é conhecido como "a regra dos terços".



Posicione nas intersecções das linhas os pontos que você considera mais interessantes na cena. Nas linhas propriamente ditas também podem ser mostrados pontos de destaque, como por exemplo os olhos de uma pessoa ou o horizonte.


(+) BÔNUS!

Eu costumo falar isso por aqui, mas não perco a oportunidade de repetir: todas as dicas e técnicas servem como apoio, mas ninguém deve se preocupar apenas em decorá-las e se ater a aspectos puramente técnicos. Com o tempo e a prática, essas coisas acabam se tornando quase naturais. O que importa mesmo é exercitar sua criatividade: fotografe o que tiver vontade da maneira que você achar melhor - suas imagens terão personalidade própria. E me mostre o resultado depois: deixe o link aqui nos comentários, mande pelo Twitter ou por e-mail. Tudo o que é interessante deve ser compartilhado ;)

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terça-feira, 11 de maio de 2010

Exposição do fotógrafo Fernando Rabelo em Porto Alegre

Acontece hoje (11/05) a abertura da exposição do fotógrafo Fernando Rabelo (editor do blog Images&Visions) aqui em Porto Alegre. Para quem puder conferir, o evento começa às 19h na Aliança Francesa e fica em cartaz até o dia 05 de junho.

Bistrot no Marais

A cidade de Paris foi imortalizada em preto e branco nas lentes de fotógrafos franceses conhecidos mundialmente como Henri Cartier-Bresson e Robert Doisneau. Influenciado por esse olhar, de uma Paris humanista da segunda metade do século XX, Fernando Rabelo iniciou sua carreira aos quatorze anos na capital francesa, onde viveu durante a adolescência e tomou contato com as primeiras luzes da fotografia. Retratou a cidade no final dos anos setenta, onde realizou sua primeira mostra em preto e branco.

A exposição "Um Flâneur Brasileiro em Paris" conta com fotografias produzidas entre setembro de 2005 e junho de 2006, período em que o fotógrafo residiu novamente na França, e mostra o olhar de Fernando sobre uma Paris popular e cosmopolita, desvendando becos, ruas, igrejas, pontes e personagens da cidade.

Mulher na janela

O termo flâneur se refere àquele que caminha tranqüilamente pelas ruas, observando cada detalhe, sem ser notado, sem se inserir na paisagem, sempre à espera do momento mais propício, de uma luz particular. A Curadoria da exposição está a cargo da pesquisadora Teresa Bastos e o texto de apresentação é assinado pelo escritor Alcione Araújo. A mostra já foi exibida em 14 capitais brasileiras.

“Como flâneur, pude não só retratar Paris a partir de ângulos inusitados, como experimentar outra relação entre o tempo e a imagem fotográfica, houve momentos em que passava o dia flanando e voltava para casa sem nenhuma imagem. No dia seguinte, eu retornava aos mesmos lugares e realizava as fotografias, onde eu podia esperar pacientemente o melhor momento, a melhor luz, o instante mágico”, conta Rabelo. Para ele, a possibilidade de fotografar sem tempo determinado foi fator decisivo para o resultado das fotografias que integram a exposição.


Foire a la brocante

Durante mais de vinte anos Fernando Rabelo atuou como fotojornalista, tendo trabalhado para os mais importantes jornais brasileiros. “Na imprensa diária, a relação tempo/foto é completamente diferente da proposta do flâneur”, declara.

A idéia surgiu a partir de estudos de Rabelo sobre a importância do "olhar estrangeiro" na história da fotografia francesa. Desde a segunda metade do século XIX, após o surgimento do daguerreótipo, a contribuição dos estrangeiros enriqueceu a fotografia de Paris. Vindos de várias partes do mundo, eles transformaram a cidade luz na "capital da fotografia mundial".


Não é de se estranhar que em várias épocas surgiram por lá tantos profissionais vindos de Nova York, Berlim, Budapeste, Roma, Amsterdã, entre outras. Artistas consagrados como André Kertézs, Germaine Krull, Robert Capa, Brassaï, Man Ray deixaram uma extensa e representativa obra fotográfica tendo Paris como cenário. A sábia inocência do "olhar estrangeiro" lhes permitiu melhor captar e eternizar momentos inesquecíveis na história da fotografia universal de Paris, uma das cidades mais fotografadas do mundo, fonte de inspiração permanente para cineastas, fotógrafos, pintores, poetas, escritores e simples anônimos.


A proposta de Fernando é tentar expressar em imagens a poesia do cotidiano da cidade, permeada por momentos de extrema beleza estética retirados a partir do simples olhar diante do banal. Olhar a metrópole "de fora", como estrangeiro, mas não como turista e testemunhar seu movimento. Esse foi seu grande desafio.


Caminhada à beira do Rio Sena


Onde?
Aliança Francesa
Rua Doutor Timóteo, 752 - Porto Alegre

Quando?
de 12 de maio a 5 de junho de 2010
de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h


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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fotografando ambientes internos

Por mais que um ambiente interno esteja bem iluminado, nem sempre as fotografias ficam boas. A maioria das reclamações que vejo por aí diz respeito à tonalidade das imagens, que fica muito diferente do ambiente que vemos ao vivo: ou ficam amareladas, ou ficam pálidas demais; e muitas vezes, o flash só piora a situação, deixando o ambiente um tanto artificial.


Se prestarmos atenção a alguns detalhes, dá sim para conseguir fotos internas decentes - e melhor: sem depender da luz cegante do flash das câmeras automáticas.


> ILUMINAÇÃO

Primeiramente, desligue o flash da sua câmera. A proposta inicial é que façamos o possível para aproveitar a luz ambiente (melhor ainda se ela for natural): caso haja luz natural suficiente para iluminar bem a cena, sem precisar acender nenhuma luz, ótimo.

Durante o dia, abra todas as janelas e portas para permitir que a luz natural ilumine o ambiente. Se você perceber que apenas essa luz não basta para deixar o cenário nítido, acenda uma lâmpada ou abajur - teste todas as opções que você tiver disponível (veja o exemplo abaixo, com mais de uma fonte de iluminação).


Se ainda assim a cena ficar escura, não resta opção a não ser recorrer ao flash. Certamente a foto sairá nítida e o ambiente será bem retratado, mas é provável que as sombras resultantes disso pareçam mais duras do que pareceriam sob outro tipo de iluminação.


> ISO

Como a iluminação em ambientes internos geralmente é mais fraca que a luz disponível ao ar livre, você precisará ajustar um valor de ISO mais alto. A lógica é a seguinte: quanto menos luz disponível, maior será o valor do ISO que você irá selecionar. Só evite usar o valor máximo que sua câmera oferece, pois quanto maior o valor do ISO, mais ruído a imagem terá. (ruído é aquele monte de pontinhos coloridos que aparecem na foto de uma parede lisa, por exemplo)

Se você não sabe qual valor ISO utilizar, pode tomar estes como base:

  • 100 ISO para sol bem forte

  • 200 ou 400 ISO para ambientes internos com luz + flash

  • 400 ISO para dias nublados

  • 800 ou 1600 ISO para fotos internas ou sob holofotes
Para capturar imagens de movimento o ideal é utilizar 400 ISO ou mais. Isso congelará a ação e evitará que a foto saia borrada.

Foto: Santinha



> AF ILLUMINATOR

A tradução de AF illuminator é algo como iluminador auto-foco. É aquela luzinha vermelha disparada para que a câmera calcule a distância de você até o assunto que pretende fotografar, e isso ajuda no ajuste do foco. O AF illuminator é ideal para fotografar em ambientes pouco iluminados ou completamente escuros

Ao ativar o AF illuminator, as chances do assunto da foto sair desfocado diminuirão. Claro que também é possível resolver isso de outra forma, caso sua câmera não possua esse recurso ou você simplesmente não queira usá-lo: ajuste a distância do foco manualmente (veja aqui como fazer isso), ou faça uso da luz do flash.

Aliando o iluminador AF ao flash, você conseguirá estender o alcance do foco quando houver pouca luminosidade disponível. Ou seja, se apenas com o flash sua câmera conseguiria fotografar nitidamente um objeto que está a três metros de distância, com o auxílio do AF illuminator o alcance poderá chegar a quatro ou cinco metros.


> ATENÇÃO PARA OS DIFERENTES TIPOS DE LUZ ARTIFICIAL


Quando falei sobre o White Balance, lembrei como esse detalhe é capaz de arruinar o resultado final de qualquer imagem. Já que estou falando muito em iluminação artificial, vale lembrar que a maioria das câmeras oferece diferentes tipos de ajuste para lâmpadas fluorescentes e de tungstênio.

As lâmpadas fluorescentes são projetadas para fornecer luz difusa discreta. Portanto, são boas para fotografar em preto e branco. Compare a cena que você vê com a que aparece na tela de LCD da câmera para chegar ao ajuste mais adequado à situação - é a melhor maneira de alcançar o tom que você procura.

as lâmpadas incandescentes emitem uma luz mais amarelada, o que transmite às imagens a sensação de calor.


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