quarta-feira, 19 de agosto de 2009

19 de agosto - Dia mundial da Fotografia

Oficialmente, a Fotografia completa 170 anos hoje. Mas experimentos que envolvem tentativas de registrar imagens são muuuito mais antigos do que você imagina. Vou (tentar) resumir em poucos parágrafos muitos séculos de história...
Por volta de 350 a.C. já se conhecia o fenômeno da produção de imagens pela passagem da luz através de um pequeno orifício (o mesmo processo utilizado até hoje nas câmeras pinhole).

Por volta do século X,
Alhazen descreveu um método de observação dos eclipses solares através da utilização de uma câmara escura. Tal câmara escura consistia de um quarto com um pequeno orifício aberto para o exterior.

No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura. Leonardo da Vinci fez uma descrição da câmara escura em seu livro de notas (imagem ao lado), mas não foi publicado até 1797. Giovanni Baptista Della Porta, cientista napolitano, publicou em 1558 uma descrição detalhada da câmara e de seus usos. Quando um objeto era posto diante do orifício no lado de fora da câmara, sua imagem era projetada invertida sobre uma parede branca que ficava dentro do quarto.

Em 1604, o cientista italiano Angelo Sala, observou que certo composto de prata ficava escuro quando exposto ao sol. Acreditava-se que o calor fosse responsável por isso.

Em 1727, o professor de anatomia Johann Schulze, da universidade alemã de Altdorf, notou que um vidro que continha ácido nítrico, prata e gesso se escurecia quando exposto à luz proveniente de uma janela. Por eliminação, ele demonstrou que os cristais de prata halógena, ao receberem luz (e não o calor, como acreditavam até então) se transformavam em prata metálica negra. Já que suas observações foram acidentais e não tinham utilidade prática na época, Schulze cedeu suas descobertas à Academia Imperial de Nuremberg.


Em 1802, Sir Humphrey Davy publicou uma descrição do êxito de Thomas Wedgewood na impressão de silhuetas de folhas e vegetais sobre couro. Thomas, estando familiarizado com o processo de Schulze, obteve essas imagens mediante a ação da luz sobre o couro branco impregnado de nitrato de prata. Entretanto, ele não conseguiu "fixar" essas imagens, isto é, eliminar o nitrato de prata que não havia sido exposto e transformado em prata metálica, pois apesar de bem lavadas e envernizadas, elas ficavam escuras quando expostas à luz.


A câmara escura também era do conhecimento da família de Wedgewood. Seu pai, o ceramista Josiah, a usava constantemente para desenhar casas de campo e copiar seus desenhos em suas famosas porcelanas. Thomas não chegou a obter imagens impressas com o auxílio da câmara escura devido à sua morte prematura aos 34 anos.



> E NO SÉCULO XIX...


Aos 40 anos, Nicéphore Niépce pôde se retirar do exército francês e dedicar seu tempo à criação de inventos técnicos graças à fortuna que sua família havia feito com a revolução. Nessa época, a
litografia era muito popular na França e, como Niépce não tinha habilidade para o desenho, tentou obter através da câmara escura uma imagem permanente sobre o material litográfico de imprensa. Recobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante várias horas na câmara escura, obtendo uma fraca imagem parcialmente fixada com ácido nítrico. Como essas imagens eram negativas e Niépce queria imagens positivas que pudessem ser utilizadas como placas de impressão, determinou-se a realizar novas tentativas.

Após alguns anos, Niépce recobriu uma placa de metal com betume branco da judéia, que tinha a
A química, em auxílio à fotografiapropriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas em sua câmara escura, ele conseguiu uma imagem do quintal de sua casa (ao lado).

Apesar dessa imagem não ter meios tons e não servir para litografia, todas as autoridades na matéria a consideram a
primeira fotografia permanente do mundo. Esse processo foi batizado por Niépce de Heliografia (gravura com luz solar).

Foi através dos irmãos Chevalier, famosos ópticos de Paris, que Niépce entrou em contato com outro entusiasta que procurava obter imagens impressionadas quimicamente:
Louis Jacques Mandé Daguerre. Este, durante alguns anos, causara sensação em Paris com o seu "Diorama", um espetáculo composto por enormes painéis translúcidos pintados por intermédio da câmara escura, que produziam efeitos visuais (fusão, tridimensionalidade) através de iluminação controlada no verso desses painéis.

Niépce e Daguerre mantiveram correspondência durante algum tempo sobre seus trabalhos. Em 1829 firmaram uma sociedade com o propósito de aperfeiçoar a Heliografia, compartilhando seus conhecimentos secretos.
Daguerre, ao perceber as grandes limitações do betume da Judéia, decidiu prosseguir sozinho nas pesquisas com a prata halógena. Suas experiências consistiam em expor, na câmara escura, placas de cobre recobertas com prata polida e sensibilizadas sobre o vapor de iodo, formando uma capa de iodeto de prata sensível à luz.

Dois anos após a morte de Nièpce, Daguerre descobriu que uma imagem quase invisível, latente, podia revelar-se com o vapor de mercúrio, reduzindo-se assim de horas para minutos o tempo de exposição. Certa noite, Daguerre guardou uma placa sub-exposta dentro de um armário onde havia um termômetro de mercúrio que se quebrara; ao amanhecer, abrindo o armário, ele constatou que a placa havia adquirido uma imagem de densidade bastante satisfatória: tornara-se visível. Em todas as áreas atingidas pela luz o mercúrio criava um amálgama de grande brilho, formando as áreas claras da imagem.


Após a revelação, agora controlada, Daguerre submetia a placa com a imagem a um banho fixador para dissolver os halogenetos de prata não revelados, formando as áreas escuras da imagem. Inicialmente foi usado o sal de cozinha (cloreto de sódio) como elemento fixador, sendo substituído posteriormente por tiosulfato de sódio (hypo), que garantia maior durabilidade à imagem. O processo foi batizado com o nome de
Daguerreotipia.

Em 1839, com a ajuda do amigo Arago (que era então membro da câmara de deputados da França), na Academia de Ciências e Belas Artes, Daguerre descreveu minuciosamente seu processo ao mundo em troca de uma pensão estatal. Poucos dias antes, por intermédio de um agente, ele havia requerido a patente de seu invento na Inglaterra.


Rapidamente, os grandes centros urbanos da época ficaram repletos de daguerreótipos; vários pintores figurativos, como Dellaroche, exclamaram em desespero: "A pintura morreu!". Como sabemos, foi nessa efervescência cultural que foi gerado o impressionismo.


Apesar do êxito da daguerreotipia, que se popularizou por mais de vinte anos, sua fragilidade, a dificuldade de se ver a cena devido à reflexão do fundo polido do cobre e a impossibilidade de se fazer várias cópias a partir do mesmo original, motivaram novas tentativas com a utilização da fotografia sobre o papel.



> NO BRASIL


Em 1830, diante da necessidade de uma oficina impressora, o francês Hercules Florence inventou seu próprio meio de impressão, a
Polygraphie (como ele a denominou). Seguindo a meta de um sistema de reprodução, pesquisou a possibilidade de se reproduzir usando a luz do sol e descobriu um processo fotográfico que chamou de Photographie, em 1832, como descreveu em seus diários da época, anos antes de Daguerre. Em 1833, Florence fotografou através da câmara escura com uma chapa de vidro e usou um papel sensibilizado para a impressão por contato.

Enfim, totalmente isolado e sem conhecimento do que realizavam seus contemporâneos europeus Niépce, Daguerre e Talbot, obteve resultados bons resultados com essas experiências fotográficas.




Adaptado
daqui e daqui.

Veja também: Fotografias antigas, História

3 comentários:

r disse...

Caraaaaalho mew, nem fazia ideia de qe tudo isso fosse tão antigo!!

Ranzan disse...

epa, o nome não saiu no de cima mas é o Ranzan

Nuno Figueiredo disse...

Excelente texto e obrigado pela lição! Continue o bom trabalho. Adoro o blog! =D

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